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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Gil70: Entrevistas

Entrevistas com os artistas participantes da exposição Gil70, no Itaú Cultural. A mostra, que continua no instituto até 17/02, faz um panorama da vida e obra de Gilberto Gil e reúne 23 artistas que produziram releituras das criações do músico e ex-ministro da Cultura. 

Conversei com Jarbas Jácome, Bené Fonteles e Omar Salomão. Minha amiga, a jornalista Maria Clara Matos falou com Ricardo Aleixo, Gualter Pupo, Luiz Zerbini, José Roberto Aguilar, Vivian Caccuri, Adriana Calcanhoto e André Vallias. Ainda há alguns vídeos a serem publicados.


Conheça também o tumblr Ilustre Gil, com ilustrações baseadas nas letras de Gil. As imagens são do designer Renan Magalhães, o projeto foi tocado principalmente por Maria Clara.

domingo, 20 de janeiro de 2013

O Telefone e Proust

Trecho de O Caminho de Guermantes, de Marcel Proust, em que o narrador trata de uma ligação telefônica que faz a sua avó, de Donciéres a Paris. A experiência é naturalmente muito distante da nossa, ele precisa se deslocar ao posto telefônico, precisa contatar as telefonistas, que fazem efetivamente a conexão de um ponto a outro (e permanecem ouvindo a conversa), etc. Mesmo assim o que talvez em um primeiro momento fosse encarado com fascínio, já aí tem um toque de enfado — o que antes era impensável, hoje é até lento demais. Em se pensar do nosso ponto de vista, não só "muito demorado, muito incômodo", como arcaico; e estamos em um mundo de tal maneira continuamente e intensamente conectado que a distância não é só "supressa" como em muitos sentidos inexistente. De maneira que a metáfora final, que permite entrever no contato feito pelo telefone o que nos resta depois da morte, não é sequer pensável. Entretanto, que outra metáfora existencial esse estado hiperconectado nos deixa inventar?
O telefone, naquela época, ainda não era de uso tão corrente como hoje. E, no entanto, o hábito leva tão pouco tempo para despojar de seu mistério as forças sagradas com que estamos em contato que, não tendo obtido imediatadamente a minha ligação, o único pensamento que tive foi que aquilo era muito demorado, muito incômodo, e quase tive a intenção de fazer uma queixa. Como nós todos agora, eu não achava suficientemente rápida nas suas bruscas mutações, a admirável magia pela qual bastam alguns instantes para que surja perto de nós, invisível mas presente, o ser a quem queríamos falar e que, permanecendo à sua mesa, na cidade onde mora (no caso de minha avó era Paris) sob um céu diferente do nosso, por um tempo que não é forçosamente o mesmo, no meio de circunstâncias e preocupações que ignoramos e que esse ser nos vai comunicar, se encontra de súbito transportado a centenas de léguas (ele e toda a ambiência em que permanece mergulhado) junto de nosso ouvido, no momento em que nosso capricho o ordenou. E somos como o personagem do conto a quem uma fada, ante o desejo que ele exprime, faz aparecer num clarão sobrenatural a sua avó ou a sua noiva, a folhear um livro, a chorar, a colher flores, bem perto do espectador e no entanto muito longe, no próprio lugar onde realmente se encontram. Para que esse milagre se realize, só temos de aproximar os lábios da prancheta mágica e chamar — algumas vezes um pouco longamente, admito-o — as Virgens Vigilantes cuja voz ouvimos cada dia sem jamais lhes conhecer o rosto, e que são nossos Anjos da Guarda nas trevas vertiginosas a que vigiam ciumentamente as portas; as Todo-Poderosas por cuja intercessão os ausentes surgem a nosso lado, sem que seja permitido vê-los: as Danaides do invisível que sem cessar esvaziam, enchem, se transmitem as urnas do sons; as irônicas Fúrias que, no momento em que murmuramos uma confidência a uma amiga, na esperança de que ninguém nos escuta, gritam-nos cruelmente: "Estou ouvindo"; as servas sempre irritadas do Mistério, as impertinentes sacerdotisas do Invisível, as Senhoritas do Telefone!
E, logo que o nosso chamado retiniu, na noite cheia de aparições para a qual só os nossos ouvidos se inclinam, um ruído leve — um ruído abstrato — o da nossa distância supressa — e a voz do ser querido se dirige a nós.
É ele, é a sua voz que nos fala, que ali está. Mas como essa voz se acha longe! Quantas vezes não pude escutar senão com angústia, como se ante essa impossibilidade de ver, antes de longas horas de viagem, aquela cuja voz estava tão perto de meu ouvido, eu melhor sentisse o que há de decepcionante na aparência da mais doce aproximação, e a que distância podemos estar das pessoas amadas no momento em que parece que bastaria estendermos a mão para retê-las. Presença real a dessa voz tão próxima na separação efetiva! Mas antecipação também de uma separação eterna! Muita vez, escutando assim, sem ver aquela que me falava de tão longe, me pareceu que aquela voz chamada das profundezas de onde não se sobe, e conheci a ansiedade que me havia de angustiar um dia, quando uma voz voltasse assim (sozinha e não mais presa a um corpo que nunca mais veria) a murmurar a meu ouvido palavras que eu desejaria beijar de passagem sobre lábios para sempre em pó.

domingo, 25 de novembro de 2012

Como estudar para o vestibular? Leia jornais

Publiquei na Glocal - Painel de Geopolítica, Meio Ambiente e Cultura um artigo sobre jornais impressos, leitura e estudo para o vestibular: "Acompanhar o Contemporâneo". O texto é como que uma extensão da coluna "Por que ler jornal de papel?", para o Digestivo Cultural. A diferença está no foco, no público, na abordagem — ou seja, quase em tudo, mas há algumas analogias. Eu retrabalhei essa coluna também aqui, falando sobre o You Tube e sua necessidade de atrair a atenção ininterrupta dos visitantes.

domingo, 4 de novembro de 2012

Retratos Artificiais

Este trecho de Os Pecados dos Pais, livro de Lawrence Block, descreve o trabalho de investigação como a a produção de uma imagem — aproximada, necessariamente imperfeita. Creio que se aplica ao jornalismo:
Eu disse:
— Sabe o que é um kit de retratos para identificação, Hanniford? Provavelmente você já viu em reportagens de jornal. Quando a polícia tem uma testemunha ocular, usa esse kit de transparências para compor a imagem de um suspeito a partir de seus diferentes componentes: "O nariz era como este? Ou este outro é mais parecido? Maior? Mais largo? E as orelhas? Que par de orelhas chegam mais perto?". Até que os traços reunidos formem um rosto.
— É, eu sei como funciona.
— Então você também já deve ter visto fotografias reais de suspeitos ao lado dos retratos feitos com esses kits. Eles nunca se parecem entre si, especialmente para olhos não treinados. Mas existe uma semelhança concreta, e um policial treinado pode fazer muito bom uso disso. Percebe aonde eu quero chegar? Você quer fotografias de sua filha e do garoto que a matou. Eu não estou equipado para lhe fornecer isso. Ninguém está. Posso acumular fatos e impressões e elaborar um desses retratos artificiais, mas o resultado talvez não chegue nem perto do que você desejaria. (...)
Bom ter isso em mente quando for fazer um perfil?

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Mídia Golpista #2

Paulo Henrique Amorim publicou em seu blog, o Conversa Fiada, uma crítica ao instituto de pesquisas Datafolha, insinuando que os resultados de intenção de voto apresentados no primeiro turno da eleição paulistana eram manipulados, e que os do segundo turno também seriam. 

Nesses termos: "Vamos ver agora, amigo navegante, o que dirá a próxima (dis)simulação da Folha. Quando Cerra vai passar o Haddad no Datafalha? Que fenômeno “inesperado” nos aguarda, como o desmanche dessa obra-prima: três candidatos empatados".

Não aconteceu.


A Folha ainda fez uma matéria de balanço em 30/10: No 2º turno, urnas confirmam cenário apontado em pesquisas. Como é que Paulo Henrique Amorim explicaria o desnível entre sua profecia e os fatos?

É preciso sempre notar que o alarme de manipulação, sem base, é também manipulação.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Jornal da Filosofia, nº 1

Saiu faz um tempinho (já estamos fazendo a próxima), mais eis a segunda edição do Jornal da Filosofia, que diagramo com Mônica Marques no curso de Filosofia da FFLCH/USP.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Mídia Golpista #1

Exemplo de como a polarização política diz pouco ou nada sobre o jornalismo. Para a mesma coluna "Todos Contra Um", de Eliane Cantanhêde, dois leitores veem respectivamente petismo e serrismo.

Leia a coluna aqui e tire suas conclusões.